Viva Mais Bicho
Política editorial

Como decidimos o que afirmar — e o que não afirmar.

Um site de saúde vale o que vale o seu método. Este é o nosso, escrito para poder ser cobrado.

Última atualização:

Em resumo

  • Publicamos conteúdo educativo sobre saúde, nutrição e longevidade de cães e gatos, com fonte identificada e nível de evidência declarado.
  • Não damos diagnóstico, não prescrevemos e não substituímos a consulta veterinária.
  • Nenhuma empresa paga para mudar uma conclusão nossa. Parceria comercial, quando houver, aparece identificada no próprio conteúdo.
  • Quando a evidência não permite afirmar, dizemos que não permite — em vez de escolher o lado que soa melhor.

O resumo não substitui o texto — em caso de divergência, vale o que está escrito abaixo.

1. O que publicamos

Conteúdo educativo sobre saúde, nutrição, comportamento, prevenção e longevidade de cães e gatos, dirigido a quem cuida do animal em casa. O objetivo declarado é que a pessoa entenda o que está acontecendo, saiba o que observar, perceba mais cedo o que mudou e chegue à consulta veterinária com informação melhor.

Não publicamos conteúdo dirigido a profissionais como orientação de conduta clínica. O médico-veterinário tem literatura própria, e a nossa linguagem é escrita para o tutor.

2. O que não fazemos

  • Não damos diagnóstico. Nenhum conteúdo, nenhuma resposta de busca e nenhuma tela do aplicativo diz o que o seu animal tem.
  • Não prescrevemos medicamento, dose, suplemento nem dieta terapêutica.
  • Não avaliamos o caso individual do seu animal por e-mail, comentário ou qualquer outro canal.
  • Não fazemos atendimento de urgência. Diante de sinal de urgência, a única resposta correta é procurar um médico-veterinário agora.
  • Não vendemos produto, não indicamos marca em troca de pagamento e não publicamos publicidade disfarçada de recomendação.

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento veterinário. Em caso de mudança importante, persistente ou sinais de urgência, procure um médico-veterinário.

3. Como um conteúdo nasce

O caminho é sempre o mesmo, e a ordem importa: a pergunta vem antes da resposta. Escrever primeiro e procurar fonte depois é como se produz conteúdo que confirma o que o autor já achava.

Pauta
Sai de dúvida real de tutor — o que as pessoas perguntam na busca do site, o que aparece em consulta, o que circula como boato. Não sai de volume de busca no Google descolado de necessidade clínica.
Levantamento
Busca da evidência disponível: diretrizes de entidades veterinárias, revisões sistemáticas, ensaios clínicos e estudos observacionais. O levantamento vem antes do texto, e não para justificá-lo.
Redação
A resposta direta abre o conteúdo, em até 120 palavras. Depois vem o aprofundamento, o que observar em casa, os limites do que se sabe e quando procurar o veterinário.
Revisão técnica
Conferência das afirmações contra as fontes citadas por um profissional com registro verificado. Ver a seção 4 — hoje esta etapa é o nosso limite declarado.
Publicação
O conteúdo entra com data, autoria, nível de evidência e lista de fontes visíveis. Nenhum dos quatro é opcional.
Revisitação
Evidência muda. Conteúdo publicado é reexaminado quando surge estudo relevante, quando muda uma diretriz e quando um leitor aponta problema.

4. Quem escreve e quem revisa

Todo conteúdo é assinado. A pessoa que escreveu aparece com o nome e com o trabalho que faz — não com um título que ela não tem.

Revisão técnica e autoria são funções diferentes e nunca são a mesma pessoa no mesmo conteúdo. Quem revisa confere as afirmações contra as fontes; quem escreve não confere a si mesmo.

Limite declarado, hoje: nenhum conteúdo da Viva Mais Bicho exibe selo de “revisado por”. Enquanto não houver médico-veterinário com CRMV conferido na equipe de revisão, esse selo não aparece — nem em versão suavizada. Credencial não verificada não vira credencial publicada, e a regra está escrita no próprio código do site, não só combinada entre nós.

5. Como escolhemos e citamos fontes

Toda afirmação factual tem origem rastreável. A fonte fica visível no conteúdo, com título, responsável pela publicação e ano — e com link quando existe versão pública.

Nem toda fonte pesa igual, e o conteúdo diz qual está usando. Diretriz de entidade veterinária e revisão sistemática sustentam recomendação; estudo observacional isolado sustenta hipótese; opinião de especialista sustenta contexto. Tratar os três como equivalentes é o erro mais comum do conteúdo de saúde na internet.

  • Fonte não se inventa. Referência que não pode ser localizada não entra, e isso vale inclusive quando o texto passou por ferramenta de IA.
  • Associação não é causalidade, e o texto não deixa o leitor confundir as duas.
  • Estudo tem população e contexto. Resultado obtido em uma raça, em uma faixa etária ou em ambiente de canil não vira regra para todo cão.
  • Espécie não se generaliza: o que vale para cão não vale automaticamente para gato, e o texto diz de qual espécie está falando.
  • Evidência produzida em humanos é identificada como tal sempre que for usada.

6. O nível de evidência é declarado

Cada conteúdo carrega, à vista, o quanto a ciência disponível sustenta o que ele afirma. É a informação que permite ao leitor calibrar a própria confiança — e é a que quase nunca aparece.

Os quatro níveis usados no site
NívelO que significa
ForteDiretrizes e estudos consistentes apontam na mesma direção. Mudança futura é possível, mas improvável no curto prazo.
ModeradaA evidência aponta uma direção, com limitações relevantes de método, população ou tamanho de amostra.
LimitadaHá indícios, e eles não bastam para recomendar. O conteúdo explica o indício e explica por que ele não basta.
InconclusivaOs estudos discordam entre si, ou não existem. Dizemos isso — não escolhemos um lado por ele ser mais útil ao texto.

7. Três datas, não uma

“Atualizado em” não quer dizer nada quando é a única data da página: pode significar revisão de conteúdo ou troca de vírgula. Por isso separamos o que aconteceu de fato:

Publicado em
Quando o conteúdo foi ao ar pela primeira vez.
Revisado em
Quando um profissional conferiu as afirmações contra as fontes. Ausente enquanto a revisão técnica não existir — ver seção 4.
Atualizado em
Quando o conteúdo mudou de substância. Ajuste de forma não gera data nova, para a data continuar significando alguma coisa.

8. O que a nossa linguagem evita

Tom não é decoração — ele comunica confiança, e comunicar confiança que não existe é um erro editorial como qualquer outro.

  • Absolutização: “sempre”, “nunca”, “todo cão precisa”, “método definitivo”. Quase nada em saúde é assim.
  • Alarmismo: transformar sinal comum em suspeita de doença grave para prender atenção.
  • Promessa: sugerir que uma escolha isolada garante longevidade.
  • Culpa: escrever de um jeito que faça o tutor sentir que já falhou com o animal.
  • Falsa neutralidade: apresentar como “há quem diga” algo que a evidência já respondeu.

9. Inteligência artificial no processo

Usamos IA, e dizemos onde. Não usá-la seria uma escolha defensável; usá-la sem contar, não.

Na busca do site, a pergunta digitada é enviada a um modelo de linguagem do Google (Gemini) junto com trechos do nosso próprio acervo revisado. O modelo responde a partir desses trechos e apenas deles: quando a pergunta sai do que o acervo cobre, o sistema recusa e encaminha para um médico-veterinário, em vez de improvisar. A resposta traz sempre o aviso educativo.

Na produção de conteúdo editorial, IA pode apoiar levantamento e organização, nunca publicar. Nenhum texto vai ao ar sem revisão humana, nenhuma fonte é aceita sem verificação de que existe, e a conclusão final é sempre de uma pessoa identificada.

O que a pergunta digitada na busca significa para os seus dados está descrito na política de privacidade, seção “A busca do site”.

10. Independência comercial

Aqui, informação não está à venda. Nenhuma empresa pode pagar para alterar uma conclusão, para suavizar uma ressalva ou para transformar publicidade em recomendação.

Se um dia houver patrocínio, parceria ou link comercial, três coisas passam a valer ao mesmo tempo: a relação aparece identificada no próprio conteúdo, e não só em uma página institucional; quem revisa o conteúdo não é quem negocia o contrato; e o patrocinador não vê o texto antes da publicação nem tem direito de veto.

Conflito de interesse de autor ou revisor — vínculo com fabricante, empresa ou entidade com interesse no assunto — é declarado no conteúdo.

11. Quando erramos

Vamos errar. Um site de saúde que se apresenta como infalível está mentindo sobre a primeira coisa. O que fazemos com o erro depois que ele aparece está na política de correções, que é um documento separado justamente para poder ser cobrado separadamente.

Os outros documentos

São quatro, e eles se citam. Vale ler o que estiver faltando.